Prisão domiciliar de Bolsonaro é tema das discussões no retorno da Câmara e da Alerj
Rogério Amorim, Paulo Messina, Rafael Satiê e Luiz Paulo repercutiram política nacional - Foto: Reprodução
O retorno das sessões legislativas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), nesta terça-feira (5), foi marcado por discursos contundentes, protestos simbólicos e um cenário político polarizado em torno da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF).
Além da medida imposta pelo Judiciário, o ambiente político se agravou com as tarifas econômicas anunciadas pelos Estados Unidos — que, segundo o ex-presidente Donald Trump, seriam uma resposta à maneira como o Brasil tem tratado Bolsonaro.

Na Câmara do Rio, o vereador Rogério Amorim (PL) abriu a sessão criticando o que chamou de “estado de exceção” instalado no país:
“Hoje temos um estado de exceção sendo implantado pelo Judiciário, onde um homem que não teve nenhum voto, nem prestou concurso de juiz, domina e manda. Bolsonaro não roubou nada. Foi preso por causa de uma postagem de terceiros.”
A crítica foi reforçada por outros membros do PL, como Paulo Messina, que destacou o caráter político da prisão:
“Há alguma dúvida de que Alexandre de Moraes vai condenar Bolsonaro? Isso não é apenas bolsonarismo, é sobre o país que queremos.”
O vereador Rafael Satiê classificou a prisão como uma “anomalia política” e anunciou que irá protocolar pedido de exoneração contra o secretário municipal de Governo, Felipe Santa Cruz, após uma postagem em que teria defendido “uma bala na nuca” para Bolsonaro:
“O secretário do Rio insinuou que o presidente Bolsonaro deveria ser executado. Isso é inadmissível.”
Do lado oposto, a vereadora Maíra do MST acusou a direita de tentar entregar a soberania do Brasil aos Estados Unidos:
“Eles querem entregar nosso povo, nossa economia de bandeja para os EUA. Isso é um atentado à democracia brasileira.”
Alerj também pega fogo
Na Assembleia Legislativa, o deputado Luiz Paulo (PSD) se posicionou contra qualquer interferência econômica externa:
“É inadmissível que qualquer nação estrangeira queira impor tarifas econômicas ao Brasil por razões políticas. O Brasil é soberano.”
O tom subiu quando o deputado Professor Josemar (PSOL), em tom irônico, chamou Bolsonaro de “futuro presidiário” e questionou a ausência de posicionamento do governador Cláudio Castro sobre o impacto das tarifas no Rio de Janeiro:
“Está na meta do governo internacional a defesa de Bolsonaro, o mais novo usuário de tornozeleira. Não podemos nos silenciar.”
Com discursos acalorados e clima tenso, a pauta da prisão de Bolsonaro e seus desdobramentos promete permanecer no centro do debate político nas próximas semanas, tanto no Legislativo quanto nas ruas.
