Primeiro debate pelo Governo do Rio é marcado por ausência de Eduardo Paes e ataques a grupos políticos

O primeiro debate entre candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026 teve como principais marcas a ausência de Eduardo Paes, críticas aos grupos políticos que estiveram à frente do estado nos últimos anos e discussões sobre segurança pública e educação. O encontro foi realizado neste domingo (9), na Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Participaram do debate André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL). Eduardo Paes (PSD), que havia sido confirmado anteriormente, não compareceu. A decisão de faltar ao encontro acabou se tornando um dos assuntos mais explorados pelos demais candidatos durante a programação.
Debate teve três blocos
O encontro foi conduzido pela jornalista Adriana Araújo e organizado em três etapas. Na primeira, os candidatos responderam a uma questão comum e, posteriormente, tiveram oportunidade de fazer perguntas diretamente uns aos outros.
A segunda parte foi dedicada a questionamentos formulados por jornalistas sobre temas previamente apresentados ao público. Depois das respostas, houve uma nova rodada de perguntas entre os candidatos.
O último bloco ficou reservado às considerações finais, momento em que cada participante teve espaço para reforçar suas principais propostas e mensagens ao eleitorado.
A dinâmica também produziu movimentos distintos entre os participantes. Anthony Garotinho recebeu menos perguntas diretas, enquanto Douglas Ruas e André Marinho estabeleceram uma dinâmica de questionamentos que permitiu aos dois ampliar a exposição de suas propostas ao longo do debate.
Ausência de Paes vira alvo dos adversários
A decisão de Eduardo Paes de não participar foi abordada em diferentes momentos. O nome do ex-prefeito apareceu associado a críticas sobre sua atuação política e administrativa, principalmente por parte de Douglas Ruas e André Marinho.
Em uma das discussões, Ruas questionou Marinho sobre medidas de enfrentamento ao feminicídio. O candidato do Novo aproveitou a oportunidade para criticar a ausência de Paes e defender que a campanha deveria concentrar esforços na apresentação de soluções para os problemas do estado.
Ruas também direcionou críticas ao ex-prefeito e mencionou integrantes ligados à administração municipal de Paes. Entre os nomes citados estiveram Bernardo Fellows, associado à Riotur, e Pedro Paulo, do PSD, que ocupou a Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento.
A presença constante do tema ao longo do encontro mostrou que a ausência de um dos nomes inicialmente confirmados acabou tendo impacto na própria dinâmica do debate. Mesmo sem estar fisicamente presente, Paes foi mencionado em diferentes momentos pelos concorrentes.
Rodrigo Bacellar também esteve no centro das discussões
Outro assunto que ganhou espaço foi a situação de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele está preso sob suspeita de ter vazado informações relacionadas a uma operação policial.
William Siri foi responsável por levar o tema à discussão ao questionar Douglas Ruas sobre uma declaração anterior na qual o candidato havia defendido Bacellar como possível nome para disputar o Governo do Estado.
Siri questionou ainda se Bacellar teria sido o candidato do PL ao Palácio Guanabara caso não tivesse sido preso durante a operação da Polícia Federal e se representaria uma continuidade das políticas associadas ao partido e ao ex-governador Cláudio Castro.
Ruas respondeu negando ser candidato de qualquer grupo específico e, na sequência, acusou o PSOL de possuir proximidade política com Bacellar. O candidato também aproveitou a resposta para fazer críticas aos governos que comandaram o estado nos últimos 17 anos e afirmou que a Polícia Militar não teria recebido atenção suficiente em operações realizadas em comunidades.
Bacellar voltou a ser mencionado no encerramento do primeiro bloco, desta vez em uma pergunta de Anthony Garotinho a William Siri. O candidato do PSOL voltou a criticar o grupo político relacionado ao ex-presidente da Alerj e associou a discussão a nomes como Cláudio Castro e o ex-deputado estadual TH Joias, que é investigado por uma suposta ligação com o Comando Vermelho.
Educação entra na pauta
No segundo bloco, a educação pública estadual foi um dos principais assuntos. A jornalista Berenice Seara, do portal TEMPO REAL, apresentou aos candidatos um cenário que combina a dimensão econômica do Rio de Janeiro com dificuldades nos indicadores educacionais.
A questão destacou que o estado é apontado como o segundo mais rico do país, mas apresenta também o segundo pior desempenho entre as redes estaduais de ensino. Os candidatos foram questionados sobre as razões para esse contraste e sobre quais deveriam ser as três primeiras medidas para melhorar o ensino médio fluminense.
William Siri foi sorteado para responder e apontou a remuneração dos profissionais da educação como um dos problemas centrais. O candidato criticou a administração de Cláudio Castro e afirmou que os professores fluminenses recebiam uma das piores remunerações do país, além de acusar o ex-governador de não cumprir o piso nacional da categoria.
Como proposta, Siri defendeu uma transformação na educação estadual com expansão do ensino em período integral. Para sustentar a ideia, fez referência ao modelo educacional associado ao ex-governador Leonel Brizola.
Candidatos apresentam diferentes discursos
Na etapa final, os quatro candidatos buscaram consolidar suas principais bandeiras.
André Marinho afirmou estar preparado para governar e apresentou como prioridades a melhoria das condições de vida das famílias, além de voltar a abordar a questão da corrupção.
William Siri adotou uma postura voltada à mudança e procurou se apresentar como um candidato sem vínculos com os grupos políticos tradicionais. O candidato também afirmou conhecer de perto os problemas enfrentados pela população fluminense.
Douglas Ruas concentrou sua fala na necessidade de ampliar a atenção do governo estadual para além da capital. O candidato ressaltou a existência de 92 municípios no estado e criticou uma visão administrativa que, segundo ele, teria priorizado excessivamente a cidade do Rio de Janeiro.
Anthony Garotinho direcionou sua mensagem principalmente aos servidores públicos. O ex-governador afirmou que categorias como policiais e professores saberiam identificar quem estaria disposto a valorizar os profissionais. Ele também voltou a fazer críticas a Eduardo Paes.
Debate antecipa disputa eleitoral
O primeiro confronto televisivo entre os candidatos mostrou que a disputa pelo Palácio Guanabara deverá envolver não apenas a apresentação de propostas, mas também uma forte discussão sobre os grupos políticos que exerceram influência no estado.
A ausência de Eduardo Paes, inicialmente confirmado, tornou-se um elemento recorrente durante o encontro. Já a situação de Rodrigo Bacellar trouxe para o debate discussões sobre alianças, continuidade política e a relação entre diferentes grupos que atuam na política fluminense.
Ao mesmo tempo, temas diretamente relacionados à população, como educação, segurança pública, combate ao feminicídio e valorização dos servidores, começaram a ocupar espaço na disputa.
Com a campanha eleitoral avançando, novos debates deverão ampliar a exposição dos candidatos e permitir ao eleitor comparar propostas, alianças políticas e diferentes visões sobre os principais problemas do Rio de Janeiro.
O encontro realizado em Botafogo, portanto, serviu como um primeiro retrato da disputa pelo Governo do Estado em 2026, marcada desde o início por embates políticos, críticas aos grupos tradicionais e tentativas de apresentar alternativas para áreas consideradas estratégicas para o futuro do Rio.
