Órgão dos EUA condena Moraes por prisão domiciliar contra Bolsonaro e promete responsabilizar aliados
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, criticou abertamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação foi publicada em português e inglês nas redes sociais oficiais do órgão.
A nota faz referência direta às sanções anunciadas na última quarta-feira (31), quando Moraes foi incluído na lista da Lei Magnitsky, legislação norte-americana que pune autoridades acusadas de violar direitos humanos. O comunicado também deixou claro que a punição pode se estender a qualquer pessoa que “auxilie ou incentive” a conduta do ministro.
“O ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender publicamente não é um serviço público. Deixem Bolsonaro falar!”, afirmou o perfil do Escritório no X (antigo Twitter), vinculado ao Departamento de Estado, atualmente comandado pelo republicano Marco Rubio.

A postagem foi vista como um duro recado ao Judiciário brasileiro e sinaliza que o governo americano, sob influência conservadora, está atento às ações internas do Brasil. A crítica se intensifica no momento em que a prisão de Bolsonaro mobiliza apoiadores e amplia a tensão institucional.
Em maio, o mesmo órgão já havia se pronunciado sobre a liberdade de expressão, também em português, em resposta a medidas de censura digital. Na ocasião, declarou que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”, reforçando sua política de sanções e restrições de visto a autoridades estrangeiras.
Entre bolsonaristas e analistas políticos, a nova declaração do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental foi interpretada como um sinal de apoio direto a Jair Bolsonaro e uma promessa de ampliação das medidas contra figuras ligadas ao STF.
