ESCÂNDALO: Conversas de WhatsApp expõem gabinete paralelo de Moraes no TSE com apoio de “PF confiável”
Brasília, 9 de setembro – Novas mensagens de WhatsApp vieram à tona, revelando a existência de um suposto gabinete clandestino operando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diretamente ligado ao ministro Alexandre de Moraes. As conversas, datadas de agosto de 2022, mostram o chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, Eduardo Tagliaferro, em diálogo com a jornalista Letícia Sallorenzo, conhecida como “Bruxa”.
Os diálogos, obtidos pelo jornalista David Ágape, sugerem que este núcleo operava com redes de informantes informais e até mesmo contatos infiltrados na Polícia Federal (PF), levantando sérias suspeitas sobre a imparcialidade das investigações.
O contexto é a operação de busca e apreensão autorizada por Moraes em 23 de agosto de 2022, que teve como alvos empresários como Luciano Hang e Meyer Nigri, supostamente por mensagens em um grupo de WhatsApp. As contas bancárias e perfis em redes sociais dos alvos foram bloqueados.
Uma das mensagens mais polêmicas mostra Sallorenzo perguntando a Tagliaferro se o celular de Nigri, apreendido na operação, estava com uma “PF confiável”. A resposta de Tagliaferro confirma, indicando uma rede de delegados e agentes alinhados ao ministro. A expressão levanta a grave suspeita de que a PF, um órgão que deveria ser independente, estaria sendo usada de forma seletiva para favorecer interesses específicos.
A “Bruxa” no centro do esquema
Letícia Sallorenzo, ativista digital conhecida por sua militância em defesa do STF e do TSE, atuou como colaboradora não oficial do TSE durante as eleições de 2022, unindo ativismo, acesso privilegiado e informações privadas. O envolvimento da jornalista com o núcleo de Moraes é uma das denúncias que compõem o caso conhecido como “Vaza Toga”.
As conversas expõem diversas ilegalidades:
- Quebra da cadeia de custódia: A manipulação de celulares e prints fora dos procedimentos formais pode invalidar as provas.
- Uso de colaboradora externa: O acesso de Sallorenzo, sem cargo oficial, a informações privadas de investigados afronta a legalidade e a impessoalidade administrativa.
- “PF confiável”: A suspeita de uma rede paralela dentro da Polícia Federal compromete a imparcialidade do órgão e pode configurar crimes como abuso de autoridade e obstrução de justiça.
Senadores e deputados federais anunciaram que vão levar as revelações ao STF, exigindo esclarecimentos sobre a legalidade das ações conduzidas pelo gabinete de Moraes.
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