APÓS TARIFAS DE 50% DE TRUMP, BRASIL E ÍNDIA TENTAM AMPLIAR PARCERIAS

APÓS TARIFAS DE 50% DE TRUMP, BRASIL E ÍNDIA TENTAM AMPLIAR PARCERIAS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta quinta-feira (7) com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em meio às crescentes tensões comerciais provocadas pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a ambos os países. O telefonema, segundo o Planalto, durou cerca de uma hora e tratou de estratégias de cooperação frente ao novo cenário internacional.

A conversa acontece um dia após o governo norte-americano oficializar uma sobretaxa de 25% sobre produtos indianos, somando-se aos 25% já existentes. O Brasil enfrenta o mesmo percentual total de tarifas, após decisão da gestão Donald Trump, que justificou as medidas com base em ações consideradas arbitrárias do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — o que, segundo os EUA, fere princípios democráticos e distorce a segurança jurídica para investidores estrangeiros.

Fortalecimento com a Índia

Modi publicou em sua conta oficial na rede social X que os dois países estão comprometidos em aprofundar sua parceria estratégica, com foco em comércio, energia, tecnologia, defesa e saúde.

“Uma parceria forte e centrada nas pessoas entre as nações do Sul Global beneficia a todos”, escreveu o primeiro-ministro indiano.

Além disso, os líderes discutiram plataformas de pagamento digital, como o Pix, do Brasil, e o UPI, da Índia — ferramentas que, segundo ambos, podem fortalecer a autonomia dos países emergentes diante do domínio das big techs e instituições financeiras ocidentais.

Isolamento do Brasil sob Lula

Apesar da tentativa de fortalecer os laços com a Índia, analistas avaliam que a imagem internacional do Brasil tem se desgastado nos últimos meses devido ao alinhamento ideológico do governo Lula e à judicialização política interna promovida pelo STF, especialmente contra lideranças conservadoras.

O aumento das tarifas por parte dos EUA, além de ser um sinal de desconfiança sobre a condução da política externa brasileira, coloca pressão sobre setores exportadores estratégicos, como o agro e a indústria de base.

✈️ Visita oficial

Durante a conversa, Lula confirmou uma visita de Estado à Índia no início de 2026. Antes disso, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participará em outubro de uma reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio, fortalecendo o canal bilateral entre os dois países.

A parceria entre Brasil e Índia aparece como alternativa diante da pressão econômica vinda do Ocidente, mas especialistas alertam que sem estabilidade institucional e segurança jurídica, o Brasil poderá perder espaço nas cadeias globais de produção.


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