STF: Barroso pode sair antes do prazo e Lula mira quatro nomes para a Corte
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, tem demonstrado crescente incômodo com a divisão interna da Corte. Em suas manifestações públicas, tenta amenizar o protagonismo do tribunal, que se intensificou com a atuação do ministro Alexandre de Moraes nos inquéritos ligados à suposta tentativa de golpe de Estado.
De acordo com informações do portal Poder360, a centralização das decisões por Moraes tem gerado desconforto entre os demais ministros. Fontes próximas relatam que Barroso se sente impotente diante do atual cenário e cogita uma aposentadoria antecipada após a entrega da presidência do STF a Edson Fachin, prevista para o fim de setembro.
A eventual saída de Barroso abriria mais uma vaga na Suprema Corte para o presidente Lula, que já nomeou Cristiano Zanin e Flávio Dino. Nos bastidores, quatro nomes despontam como os mais cotados: Bruno Dantas (presidente do TCU), Jorge Messias (Advogado-Geral da União), Rodrigo Pacheco (presidente do Senado) e Vinícius Carvalho (ministro da CGU).
Barroso, considerado o ministro com maior ligação com os Estados Unidos, possui imóvel declarado em Miami e mantém vínculos acadêmicos com Harvard. No entanto, rumores indicam que seu visto de entrada no país norte-americano pode ter sido cancelado, o que comprometeria sua mobilidade internacional e influencia na decisão de deixar o STF.
Com a presidência da Corte nas mãos de Fachin, Barroso seria transferido para a 2ª Turma do STF, composta por ministros com quem tem menor afinidade: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça. A mudança também pesa em sua eventual decisão de antecipar a aposentadoria.
Nos bastidores do STF, o ambiente tornou-se ainda mais tenso após Moraes impor a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, agravando o desconforto interno. Muitos ministros consideraram a medida extrema e fora dos padrões da Corte, e aguardam uma possível revisão — embora essa hipótese seja considerada improvável, dado o apoio majoritário a Moraes na 1ª Turma, formada por Fux, Cármen Lúcia, Dino e Zanin.
Há consenso no tribunal de que novas sanções dos Estados Unidos, baseadas na Lei Magnitsky, devem ocorrer em breve. A inclusão de Moraes nas sanções aumentou o receio de que outros magistrados também possam ser alvos, especialmente em um cenário de endurecimento diplomático com os EUA durante o governo Donald Trump, cujo mandato vai até 2029.
