Ciro Nogueira: Congresso não tem votos para impeachment de Moraes
Ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e presidente nacional do Progressistas (PP), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta quarta-feira (6/8), em entrevista ao Contexto Metrópoles, que o Congresso Nacional não possui os votos necessários para aprovar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De forma enfática, Ciro disse que não assinou e nem pretende assinar o pedido contra o ministro. Para ele, a proposta é “impossível”, já que são exigidos 54 votos no Senado para a destituição de um ministro do STF — um número que, segundo ele, está longe de ser alcançado.
“Não assinei e não vou assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre. Porque é uma pauta impossível. Nós não temos 54 senadores para aprovar. E aqui fala uma pessoa que, durante meus 32 anos de mandato, se tornou uma pessoa muito pragmática. Não perco tempo com pautas que não vão ter sucesso”, declarou o senador.
Poder está nas mãos de Alcolumbre
Ciro também destacou que, mesmo com apoio de dezenas de senadores, o poder de pautar um processo de impeachment é exclusivo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele afirmou que, mesmo com 80 assinaturas, Alcolumbre pode simplesmente não abrir o processo:
“Você pode chegar com 80 assinaturas, que não abre. É um poder do presidente do Senado. Então essa pauta, eu não vou perder tempo com ela.”
Oposição pressiona, mas Ciro adota postura pragmática
Nas redes sociais, parlamentares da oposição alegam estar próximos de alcançar 41 assinaturas, número mínimo para admissibilidade, caso Alcolumbre decida pautar o processo. No entanto, ao fim do julgamento, são necessários 54 votos para afastar um ministro do STF.
Ciro relembrou seu papel decisivo no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e justificou sua decisão atual com base no realismo político:
“Eu fui uma das pessoas responsáveis no impeachment da presidente Dilma, quando eu levei o Progressistas e os partidos de centro para […] vencer, quando nós tínhamos condição de vencer.”
Enquanto isso, aliados de Bolsonaro seguem ocupando os plenários da Câmara e do Senado como forma de pressionar por temas como o impeachment de Moraes. A movimentação faz parte de uma estratégia de obstrução da oposição no Congresso.
