Presa na Itália, Zambelli diz que aceita voltar ao Brasil, mas teme o STF
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), detida na Itália desde 29 de julho, declarou por meio de seu advogado, Fabio Pagnozzi, que aceita cumprir pena no Brasil caso a extradição seja aprovada. A afirmação foi feita em entrevista à Rede Globo nesta sexta-feira (15).
Contudo, a parlamentar teme ser julgada de forma parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que segundo ela atua movido por critérios ideológicos e não jurídicos.
“O que a Carla sempre disse é que ela quer estar em um país em que pode ser julgada por pessoas imparciais. O momento atual do governo no Brasil não oferece essa condição. Hoje, ela foge realmente das penas exorbitantes e ideológicas do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Pagnozzi.
Saúde delicada e pedido de prisão domiciliar
O advogado também destacou que Zambelli enfrenta sérios problemas de saúde, como condições cardíacas e sequelas de uma cirurgia cerebral, o que tornaria a permanência em cela comum incompatível com sua condição clínica.
A Justiça italiana autorizou a deputada a passar por uma perícia médica independente, paralela à oficial, como parte da solicitação de prisão domiciliar enquanto aguarda o desfecho da extradição.
STF acelera condenações contra a deputada
No Brasil, o STF retomou nesta sexta-feira (15) o julgamento de Zambelli pelo episódio da perseguição armada ocorrido na véspera do segundo turno de 2022. O relator, ministro Gilmar Mendes, foi acompanhado pelos ministros Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli — formando maioria pela condenação.
A pena fixada foi de 5 anos e 3 meses de prisão, além da cassação do mandato e declaração de inelegibilidade.
Condenação anterior no caso do CNJ
A deputada já havia sido condenada em outro processo, relacionado à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Primeira Turma do STF impôs pena de 10 anos de prisão em regime fechado, perda do mandato e inelegibilidade.
O hacker Walter Delgatti Neto, envolvido no caso, recebeu 8 anos e 3 meses. Ambos foram condenados ainda ao pagamento solidário de R$ 2 milhões por “danos morais e coletivos”.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli teria orientado Delgatti a inserir documentos falsos, inclusive um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes, com o intuito de expor o Judiciário.
Extradição pode significar prisão imediata
Caso a extradição seja confirmada, Zambelli deverá inicialmente cumprir a pena de 10 anos pelo caso do CNJ. Já a eventual confirmação da condenação por perseguição armada poderá somar-se à primeira, aumentando ainda mais o tempo de reclusão.
