PF CONSIDERA PRESIDENTE DA CONAFER FORAGIDO NA OPERAÇÃO ‘FARRA DO INSS’

Carlos Roberto Ferreira Lopes, apontado como principal articulador do esquema de desvios, não foi encontrado para cumprir mandado de prisão preventiva emitido pelo STF; Entidade estaria ligada a descontos indevidos que somam R$ 484 milhões.
BRASÍLIA/DF – A Polícia Federal (PF) passou a tratar Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), como foragido. Lopes não foi localizado para o cumprimento da ordem de prisão preventiva expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da nova fase da Operação Sem Desconto (a chamada ‘Farra do INSS’).
Carlos Roberto Ferreira Lopes é acusado pela PF de ser o principal articulador do esquema de desvios e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo relatórios da investigação, ele seria o responsável por controlar as operações financeiras, orientar as fraudes e coordenar a atuação política do grupo ligado à Conafer.
Os Números do Escândalo
O caso se concentra na atuação da Conafer, entidade que, entre 2019 e 2024, esteve envolvida em descontos considerados indevidos que, segundo levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), somam impressionantes R$ 484 milhões em aposentadorias.
A busca por Lopes acontece após a mesma operação que prendeu o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros dez envolvidos, que estariam ligados a um esquema de propinas e fraudes em contratos da Previdência.
Histórico e Contraponto
Lopes já havia sido preso em flagrante no final de setembro por falso testemunho após depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), havia solicitado sua prisão preventiva ao STF, citando o risco de fuga, ameaça a testemunhas e ocultação de bens.
Em entrevista anterior, Lopes negou qualquer intenção de fugir e criticou a CPMI, alegando que a comissão era seletiva e o utilizava como “boi de piranha” para encobrir outras instituições e que haveria uma “agenda política para destruir e privatizar a Previdência”.
Em nota, a assessoria da Conafer informou não ter contato com Lopes desde a manhã da operação, mas manifestou preocupação com a ação da PF, ressaltando o direito de defesa e colocando a entidade à disposição para esclarecimentos.
O empresário Cícero Marcelino de Souza Santos é apontado pela PF como o operador financeiro do esquema, responsável por transferências de propina a agentes públicos, reforçando a gravidade das investigações que a CPMI busca levar até o “núcleo político”.
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