Dino ironiza sanções dos EUA e reafirma independência do STF em julgamento de Bolsonaro

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Brasília, 9 de setembro – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, ironizou as recentes ameaças e sanções do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, durante o julgamento da ação penal que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus de tentativa de golpe de Estado.

Dino afirmou que o tribunal não se deixará intimidar por pressões externas, em um comentário que antecedeu seu voto pela condenação de todos os réus. “Quem chega no Supremo e vai se intimidar com tuíte? Será que as pessoas acreditam que o tuíte de uma autoridade e governo estrangeiro vai mudar um julgamento do Supremo? Será que alguém acredita que um cartão de crédito ou o Mickey vai mudar um julgamento do Supremo?”, questionou o ministro.

A referência a “cartão de crédito” e “Mickey” foi uma clara alusão às sanções impostas pelo governo americano a Alexandre de Moraes, que incluem o bloqueio de ativos financeiros. Dino buscou, com sua ironia, desqualificar o impacto das medidas na independência do judiciário brasileiro.

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia reforçado a posição do governo Trump, afirmando que a administração não descarta o uso da força. “O presidente não tem medo de usar o poder econômico, o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, disse ela.

O STF segue no julgamento da denúncia de que Bolsonaro e seus aliados teriam articulado um plano para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Em seu voto, Dino ressaltou que a decisão do Supremo é baseada em provas e no devido processo legal, sem ceder a ameaças internacionais.

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