Aramis Rodrigues: De Alvo de Operação a Superintendente da PortosRio
O cenário político e administrativo fluminense volta a chamar a atenção com a nomeação de Aramis Rodrigues dos Santos Júnior para um cargo de destaque na PortosRio, a estatal federal responsável pela gestão dos importantes portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis. Atualmente, Aramis figura como Superintendente de Recursos Humanos (SUPREC), conforme publicado no “Quem é Quem” oficial da empresa.
A ascensão de Aramis à PortosRio levanta questionamentos, dada sua trajetória recente e o envolvimento em uma operação policial. Ele possui laços estreitos com o grupo político do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Republicanos), tendo ocupado diversas posições na prefeitura entre 2017 e 2024, incluindo cargos de secretário e subsecretário de Ciência e Tecnologia, além de secretário especial de Projetos e Integração Digital.
Operação Dupla Falta: O Elos com a Investigação
Em 13 de novembro de 2024, Aramis Rodrigues foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação Dupla Falta, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A investigação mirava um suposto esquema de compra de votos na campanha do então candidato a vereador Sérgio Accioly, conhecido como Dinho Resenha.
Embora Aramis não tenha sido um dos denunciados formais na ação, seu nome emergiu nas investigações, conforme noticiado por veículos como Metrópoles e O Dia. Na época, a Prefeitura de Belford Roxo defendeu Aramis, alegando que “não havia provas cabais de seu envolvimento” e que seu nome foi citado apenas em mensagens de terceiros.
A Transição da Prefeitura para a Estatal Federal
A saída de Aramis da prefeitura de Belford Roxo ocorreu em 1º de janeiro de 2025, com a mudança de gestão municipal. Poucos meses depois, ele já integrava o organograma da PortosRio como Superintendente de Recursos Humanos.
Essa nomeação não é um caso isolado. Ela coincide com a chegada de Flávio Vieira da Silva à presidência da PortosRio, que, por sua vez, também foi secretário de Saúde e Casa Civil durante a gestão de Waguinho em Belford Roxo.
Além de Aramis, outros ex-integrantes do governo Waguinho também foram realocados na estatal federal, como Denis de Oliveira Venancio (Gestão Estratégica), Pedro Simão da Costa Macedo (Administração), Elisabete Maria de Oliveira Souza (Gabinete da Presidência) e Wallace Gross Batinga (Comunicação).
Aptidão Legal e o Que Está em Jogo
Apesar de ter sido alvo de uma operação do MPRJ, é importante ressaltar que não há decisão judicial que impeça Aramis Rodrigues de exercer função pública. Ele não foi denunciado formalmente na ação penal da “Dupla Falta” e, portanto, mantém a presunção de inocência. A Lei das Estatais (13.303/2016) impõe restrições a diretores e conselheiros de estatais, mas não se aplica a superintendentes, o que o torna legalmente apto para o cargo.
Linha do tempo da trajetória:
2017–2024: Secretário e subsecretário de Ciência e Tecnologia em Belford Roxo.
2019: Secretário especial de Projetos e Integração Digital.
13/11/2024: Alvo de busca e apreensão na Operação Dupla Falta.
01/01/2025: Exonerado do cargo na prefeitura.
2025: Assume a Superintendência de Recursos Humanos da PortosRio.
A presença de Aramis Rodrigues e de outros ex-servidores do grupo político de Waguinho na PortosRio destaca a influência política do ex-prefeito em órgãos estratégicos do governo federal.
A estatal administra portos que representam uma parte significativa da movimentação de cargas no estado, áreas de grande sensibilidade tanto econômica quanto para a fiscalização aduaneira. Essa movimentação de quadros levanta questões sobre a transparência e os critérios das nomeações em empresas públicas estratégicas.
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